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Quando o ETERNO não responde

 Por Cleiton Gomes


Há um tipo de silêncio que incomoda mais do que qualquer resposta difícil: o silêncio do ETERNO. Quando pedimos direção e nada parece acontecer, quando clamamos por uma intervenção e os dias continuam passando, quando procuramos compreender o que está acontecendo e o céu parece permanecer fechado, somos confrontados com uma das experiências mais difíceis da fé: continuar confiando sem compreender.

A Escritura não esconde essa experiência. Ela não apresenta homens de fé como pessoas que sempre entenderam os caminhos do ETERNO. Pelo contrário, encontramos homens que perguntaram, choraram, esperaram e, em determinados momentos, chegaram ao limite da própria compreensão. Davi perguntou repetidamente “até quando?” diante de um ETERNO que parecia distante. , mesmo depois de perder aquilo que sustentava sua vida, passou longos capítulos tentando compreender por que estava atravessando aquela aflição. Habacuque contemplou a injustiça ao seu redor e perguntou por que o ETERNO parecia tolerá-la.

Nenhum deles é apresentado como alguém sem fé simplesmente porque questionou. Há uma diferença profunda entre abandonar o ETERNO e não compreender seus caminhos. A pergunta pode nascer justamente de quem ainda espera uma resposta dele.

Esse talvez seja um dos aspectos mais honestos das Escrituras: a fé bíblica não exige que o homem finja compreender aquilo que não compreende. Ela permite o lamento, a perplexidade e até a angústia. O que ela não permite é transformar o silêncio em prova de que o ETERNO deixou de existir, deixou de ouvir ou deixou de governar.

O problema é que fomos acostumados a medir a presença do ETERNO pela velocidade das respostas. Se a porta se abre, entendemos que Ele está conosco. Se a oração é atendida, sentimos que fomos ouvidos. Se tudo começa a dar certo, interpretamos aquilo como confirmação. Mas quando nada acontece, nossa segurança começa a desmoronar.

Talvez seja justamente aí que nossa fé seja colocada à prova.

Porque confiar quando tudo faz sentido é relativamente fácil. Difícil é continuar confiando quando a realidade não oferece nenhuma explicação satisfatória. É permanecer quando não há sinal, continuar caminhando quando não há mapa e esperar quando não existe qualquer evidência de que a resposta chegará no momento que desejamos.

O silêncio do ETERNO também confronta nossa necessidade de controle. Queremos saber quando, como e por quê. Queremos enxergar o caminho antes de dar o próximo passo. Mas a fé frequentemente exige movimento antes da explicação.

Foi assim com Abraão. Ele recebeu uma promessa, mas precisou caminhar antes de conhecer o destino. Foi assim com José, cuja história passou por abandono, injustiça e espera antes que pudesse compreender o propósito de tudo aquilo. Foi assim com Davi, ungido para reinar, mas obrigado a atravessar anos de perseguição antes de ocupar o trono.

O intervalo entre a promessa e o cumprimento é um território onde muitas pessoas abandonam aquilo em que acreditavam. Não porque a promessa tenha mudado, mas porque o tempo passou. E uma das maiores provas da fé é justamente não permitir que o tempo transforme a espera em descrença.

Existe algo ainda mais profundo no silêncio do ETERNO: ele revela o que existe dentro de nós quando a resposta não vem. Enquanto recebemos aquilo que desejamos, é fácil dizer que confiamos. Mas quando a porta permanece fechada, quando a explicação não chega e quando nossas expectativas são frustradas, descobrimos se nossa confiança estava realmente depositada no ETERNO ou naquilo que esperávamos receber dele.

A fé madura não é aquela que nunca pergunta. É aquela que consegue perguntar sem abandonar.

Habacuque começou seu livro questionando a aparente ausência do ETERNO diante da injustiça, mas terminou declarando que, mesmo que a figueira não florescesse, a videira não produzisse e os campos não dessem alimento, ainda assim se alegraria no ETERNO. As circunstâncias continuavam adversas, mas seu coração já não dependia delas para permanecer firme.

Essa é uma fé muito diferente daquela que diz: “Confiarei enquanto tudo der certo”.

Ela diz: “Ainda que eu não compreenda, continuarei confiando.”

Nem todas as respostas que buscamos chegarão no momento que desejamos. Algumas perguntas atravessam anos. Algumas dores permanecem sem explicação. Algumas portas continuam fechadas sem que compreendamos a razão. E nada disso precisa destruir nossa fé. Nossa confiança não pode depender da quantidade de explicações que recebemos.

Há momentos em que o ETERNO fala por meio das Escrituras. Há momentos em que conduz pelas circunstâncias. Há momentos em que responde claramente. E há momentos em que simplesmente precisamos esperar. O silêncio é desconfortável, mas não é vazio. É nele que aprendemos a caminhar não pelo que conseguimos enxergar, mas por aquilo que já conhecemos sobre o ETERNO.

Então deixamos de perguntar apenas: “Por que Ele não está respondendo?” e começamos a fazer uma pergunta mais profunda:

“Quem serei enquanto espero?”

Porque a maior obra realizada durante o silêncio não é necessariamente a mudança das circunstâncias ao nosso redor, mas a transformação daquele que espera.




Seja iluminado!!!
- Salmos 119:130 -




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