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Ser Luz do Mundo

 Por Cleiton Gomes


Quando Yeshua declarou: “Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14), Ele estava apresentando aos seus seguidores uma responsabilidade que ultrapassava a dimensão individual da fé. A luz existe para iluminar aquilo que está ao seu redor, tornando visível o que antes estava escondido pelas trevas. Portanto, ser luz não significa simplesmente possuir conhecimento ou afirmar uma crença. Significa viver de maneira que a verdade recebida possa iluminar o caminho de outras pessoas.

A primeira característica da luz é que ela vence a escuridão sem precisar se tornar escuridão. Quando uma lâmpada é acesa em um ambiente escuro, a escuridão não precisa ser atacada para desaparecer; simplesmente deixa de dominar aquele espaço. Da mesma forma, Yeshua não chamou seus seguidores para combater as trevas tornando-se semelhantes a elas. Ele os chamou para manifestar uma realidade diferente, capaz de revelar aquilo que as trevas escondem.

A luz também possui a capacidade de revelar aquilo que não podia ser visto. Em um ambiente escuro, objetos, obstáculos e perigos podem permanecer ocultos, mas quando a luz chega, tudo se torna mais evidente. A presença dos discípulos deveria produzir esse mesmo efeito no mundo. Por meio de suas palavras, escolhas e atitudes, eles deveriam tornar visíveis a verdade, a justiça e os caminhos que conduzem à vida.

Por isso, ser luz envolve necessariamente testemunho. Não basta possuir uma verdade dentro de nós; precisamos permitir que essa verdade seja percebida através da maneira como vivemos. Uma pessoa pode falar durante horas sobre justiça, mas sua vida revelará se realmente a pratica. Pode falar sobre misericórdia, mas suas atitudes revelarão se sabe perdoar. A luz verdadeira não precisa anunciar constantemente que está iluminando; sua presença simplesmente torna as coisas visíveis.

Yeshua também afirma que “não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte”. A imagem é poderosa porque uma cidade elevada pode ser vista à distância, especialmente durante a noite. Da mesma maneira, aqueles que pertencem ao Reino não deveriam esconder aquilo que receberam. A verdade não foi entregue para permanecer confinada dentro de nós, mas para alcançar outras pessoas e orientar aqueles que ainda caminham sem direção.

Em seguida, Yeshua apresenta outra imagem: “Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo de um alqueire”. Uma lâmpada escondida perde justamente a finalidade para a qual foi acesa. Isso significa que não devemos esconder nossa identidade quando ela pode produzir benefício ao próximo. A fé que nunca ultrapassa o espaço privado pode ser confortável, mas não cumpre completamente a dimensão pública do chamado de Yeshua.

Ser luz, entretanto, não significa buscar atenção para nós mesmos. Uma das características mais importantes da luz é que ela permite que enxerguemos outras coisas. A luz não precisa ocupar o centro da cena para cumprir sua função; ela simplesmente torna possível enxergar aquilo que realmente importa. Da mesma maneira, o discípulo não deve utilizar sua fé para construir sua própria glória, mas para direcionar as pessoas ao ETERNO.

É justamente por isso que Yeshua conclui essa imagem dizendo: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Observe que o objetivo das boas obras não é produzir admiração pelo discípulo. As pessoas devem enxergar aquilo que ele faz e, através disso, glorificar o ETERNO. A verdadeira luz aponta para uma fonte maior do que ela mesma.

Existe, portanto, uma diferença entre brilhar e chamar atenção. Uma pessoa pode desejar ser vista, reconhecida e admirada, mas isso não significa que esteja sendo luz. A luz verdadeira não diz: “Olhem para mim”; ela permite que os outros enxerguem melhor. Quando nossas ações fazem com que as pessoas percebam o caráter, a justiça e a misericórdia do ETERNO, então nossa luz está cumprindo sua finalidade.

A luz também possui uma função de orientação. Durante a noite, uma pequena fonte luminosa pode ser suficiente para indicar onde está o caminho, revelar um obstáculo ou impedir que alguém se perca. Da mesma maneira, os seguidores de Yeshua deveriam ser referências para aqueles que procuram direção. Isso não significa assumir o lugar de guia absoluto, mas viver de modo coerente com aquilo que proclamamos, tornando o caminho mais perceptível para quem está ao nosso redor.

Essa responsabilidade começa nas coisas mais simples. Ser luz dentro de casa pode significar tratar a família com respeito quando seria mais fácil responder com agressividade. Ser luz no trabalho pode significar agir com honestidade quando todos encontram maneiras de trapacear. Ser luz em uma sociedade marcada pela divisão pode significar escolher a reconciliação. A luz do Reino não aparece apenas em grandes discursos, mas nas pequenas decisões que revelam quem realmente somos.

Também precisamos compreender que a luz não elimina a existência das trevas imediatamente. Uma vela acesa em uma grande noite não faz com que todo o ambiente se torne instantaneamente claro. Entretanto, aquela pequena luz já muda completamente o espaço ao seu redor. Da mesma forma, talvez não consigamos transformar toda a sociedade, mas podemos transformar o ambiente onde fomos colocados. Uma única vida fiel pode iluminar uma família, uma empresa, uma comunidade e até gerações futuras.

Ser luz também significa expor aquilo que precisa ser corrigido. A luz revela sujeira, rachaduras, obstáculos e coisas que preferiríamos não enxergar. Por isso, a verdadeira luz nem sempre é confortável. A verdade pode confrontar, denunciar injustiças e revelar aquilo que precisa ser abandonado. Mas esse confronto não deve nascer do desejo de humilhar pessoas; deve nascer do desejo de conduzi-las para fora das trevas e em direção à vida.

Aqui encontramos uma diferença importante entre condenação e iluminação. Condenar alguém é simplesmente apontar o erro e abandoná-lo nele. Iluminar é revelar o erro e também mostrar que existe um caminho diferente. Yeshua não chamou seus seguidores apenas para dizer ao mundo o que estava errado. Ele os chamou para demonstrar, através da própria vida, que é possível caminhar em outra direção.

A luz, portanto, possui uma natureza relacional. Ela existe em benefício de quem está ao redor. Uma lâmpada acesa dentro de um quarto vazio ainda produz luz, mas seu propósito se torna muito mais evidente quando há alguém que precisa enxergar. Da mesma maneira, os dons, conhecimentos, recursos e experiências que recebemos não devem servir exclusivamente para nossa própria construção. O que recebemos pode se tornar instrumento de iluminação para outras pessoas.

Ser luz do mundo é, finalmente, participar daquilo que Yeshua está realizando na terra. Assim como o sal preserva e transforma aquilo que toca, a luz revela e orienta aqueles que estão em meio às trevas. O discípulo é chamado para estar presente no mundo sem ser dominado por ele, carregando uma realidade diferente e permitindo que essa realidade seja percebida através de sua vida.

Quando Yeshua diz “vós sois a luz do mundo”, Ele não está entregando aos seus seguidores um título de honra, mas uma missão. A luz precisa iluminar, revelar, orientar e tornar visível aquilo que estava escondido. Portanto, ser luz não é simplesmente falar sobre o ETERNO; é viver de tal maneira que as pessoas possam perceber, através de nossas obras, algo do Seu caráter.

O mundo não precisa apenas de pessoas que apontem para as trevas. Precisa de pessoas dispostas a acender uma luz. Não precisamos passar a vida inteira reclamando da escuridão para provar que ela existe. Precisamos entrar nos lugares escuros carregando aquilo que recebemos. Porque uma pequena luz, quando colocada no lugar certo, pode fazer aquilo que centenas de palavras não conseguem fazer: mostrar o caminho para quem estava perdido.


Seja iluminado!!!
- Salmos 119:130 -









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