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O brado de Yeshua na cruz

 Por Cleiton Gomes


Um dos maiores problemas da interpretação moderna sobre a crucificação de Yeshua é que muitos passaram a ler suas palavras na cruz através de lentes filosóficas estrangeiras ao pensamento hebraico. O resultado disso foi o surgimento de debates intermináveis sobre “duas pessoas divinas conversando”, “um Deus falando com outro Deus”, ou até mesmo teorias que transformam o Messias em uma espécie de personagem dividido entre duas consciências, afirmando que “a humanidade estava falando com a própria divindade de si mesmo”, já que ele seria “100% homem e 100% divino”.

Tudo isso acontece porque grande parte das pessoas se afastou da maneira judaica de compreender a manifestação do ETERNO e passou a enxergar as Escrituras por uma ótica excessivamente ocidentalizada e fragmentada. Quando Yeshua está na cruz e pronuncia palavras de dor, sofrimento e entrega, ele não está estabelecendo um diálogo entre duas divindades separadas. O que ocorre ali é algo muito mais profundo, didático e messiânico.

O Evangelho de João apresenta Yeshua como a manifestação corpórea da Palavra que criou todas as coisas (João 1:1,14). A Palavra ganhou voz. O ensino ganhou forma humana. A Palavra passou a caminhar entre os homens para ensinar, corrigir e conduzir novamente a humanidade ao Caminho da vida.

Sendo a manifestação viva da Palavra, Yeshua permitia que as pessoas aprendessem não apenas por meio de discursos, mas observando sua própria vida, seus atos e seus ensinamentos. Por isso ele declara: “Eu sou o caminho” (João 14:6). A profundidade dessa afirmação é extraordinária. Yeshua não disse apenas que mostraria um caminho. Ele afirmou ser o próprio Caminho vivo da redenção.

Quando Yeshua clama na cruz durante seu sofrimento, ele está ensinando que o justo sofredor deve permanecer ligado à vontade celestial mesmo em meio à dor, à humilhação e ao aparente silêncio. O Caminho não deve ser abandonado nem mesmo diante da aflição extrema. Seu sofrimento se transforma em ensino vivo. Sua entrega se transforma em manifestação prática da Palavra encarnada.

A missão da Palavra sempre foi tomar o homem pela mão e conduzi-lo novamente aos propósitos divinos. Yeshua, sendo a manifestação viva dessa Palavra, cumpre exatamente essa função até o último instante de sua vida terrena. Ele sofre ensinando. Ele suporta ensinando. Ele morre ensinando.

Por esse motivo, as palavras de Yeshua na cruz não devem ser compreendidas como uma divisão dentro da divindade, mas como a expressão máxima de sua missão messiânica. Mesmo em meio ao sofrimento, o Messias continua revelando o Caminho da fidelidade. Sua dor não interrompe o ensino. Pelo contrário, transforma-se na demonstração mais profunda de confiança, obediência e permanência na vontade divina, mesmo diante da morte.


Toda a trajetória de Yeshua foi marcada por essa função restauradora. Seus ensinamentos não estavam limitados aos discursos, mas eram manifestados em cada atitude, em cada correção e em cada gesto direcionado ao povo. Na cruz, essa missão alcança seu ponto mais elevado. A Palavra manifestada em carne permanece conduzindo a humanidade até o último suspiro, mostrando que o verdadeiro Caminho jamais abandona a direção divina, nem mesmo nos momentos mais sombrios da existência humana.




Seja iluminado!!!

 

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